- "Porque é que se eu for trabalhar não posso estacionar em cima da relva na 2.ª Circular, mas posso fazê-lo se for assistir a um jogo de futebol ou a um concerto de rock?" (João Duque in caderno de Economia do "Expresso")
- "As mulheres habituaram.se a antever o todo na parte - até para esquecer que, muitas vezes, não há senão a parte. Depois choramos um bocado e passa-nos. Passa, uma merda. Mas sorrimos, sim, como a tua árvore, no meio da noite." (Inês Pedrosa in "Única", "Expresso")
- "Podemos tirar o rapaz de Boliqueime mas não podemos tirar Boliqueime do rapaz, dir-se-ia com crueldade." (Clara Ferreira Alves in "Única", "Expresso")
10 de agosto de 2008
Leituras de Verão
Por AFG às 18:23 0 comentários
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9 de julho de 2008
Crónica | À ilustre nação do Irão
Hoje o mundo está preocupado porque o Irão está a fazer testes com mísseis capazes de atingir Israel. De resto, concordo com esta preocupação. Mas, por uma questão de proximidade (neste caso, cultural talvez), como blogger, destaco a notícia de que ter um blogue no Irão pode vir a ser considerado crime capital.
Isto significa que há mais um país no mundo a assumir aversão aos blogues, sob a forma de legislação que não deverá ter problema em ser aprovada. É que a nova lei iraniana prevê pena de morte (aquilo que em quase toda a Europa já não existe há algum tempo, mas alguns estados americanos continuam a aplicar) para bloggers e editores de sites "que promovam a corrupção, a prostituição ou reneguem a Deus".
Ora, sabendo a subjectividade inerente a quem julga se há corrupção, prostituição ou renegação de Deus, acho que existe motivo para temermos pela vida dos bloggers iranianos que, na vanguarda dos seus dias, se aventuram pela livre expressão da world wide web. É verdade que crimes há muitos, provavelmente alguns a dois passos de distância do sítio onde nos encontramos, mas nos dias que correm parece inacreditável a recusa de acompanhar a evolução que os poderes políticos, sobretudo de cariz totalitário, insistem em defender. Eles até viajam de avião para o outro lado do mundo, comem MacDonald's e vêem mulheres nuas na televisão, mas isso são coisas dos infiéis e o povo deles, sempre fiel, não pode ser corrompido.
Enquanto escrevo estas linhas, penso que não poderia fazê-lo no Irão... quem sabe o que eu própria pensaria e que condições de vida teria se tivesse nascido no país de Mahmud Ahmadinejad? Só sei que, invariavelmente, franzo o sobrolho aos discursos e atitudes ditatoriais que nos últimos anos têm vindo a assumir relevância em vários pontos do globo. A História diz-nos que, em altura de crise, esse tipo de regimes tem tendência a conquistar o apoio popular. A mim dá-me calafrios só de pensar nas consequências que, em pleno século XXI, alianças totalitárias poderiam ter. E cruzo os dedos para que uma célebre teoria de Einstein (aquela que envolve pedras e paus) não se concretize, pelo menos por estes dias.
Por AFG às 20:25 0 comentários
Categorias: Crónicas
8 de julho de 2008
Ainda Manuela e a procriação das famílias
Numa época em que a luta pelo casamento entre homossexuais consegue importantes vitórias, a recém-eleita líder do PSD Manuela Ferreira Leite apresentou, como argumento para o não à legalização, o facto de a procriação dever ser o objectivo das uniões familiares em Portugal. E é claro que mal tinha acabado de dizer tais palavras, já estava a ser criticada. Não é difícil, dada a postura conservadora e antiquada. Entretanto, muito se falou e escreveu e, hoje, João Miguel Tavares acrescentou a sua opinião.
APONTAR NA AGENDA: NÃO DIZER PRO-CRI-A-ÇÃO
João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt
Cara Manuela Ferreira Leite, apesar da sua idade e da sua experiência, deixe-me dar-lhe um conselho: nunca - mas nunca - utilize a palavra "procriação". Ninguém, a não ser padres e freiras, pode usar a palavra "procriação" e sair de mansinho de uma conversa, como se não fosse nada. Procriação cheira a incenso. Procriação cheira a naftalina. A rebuçados do dr. Bayard. A Farinha 33. Aos tempos em que só havia a A1 e a A2. Para sua informação, cara Manuela, Portugal já vai na A44. Portanto, ponha um post-it no porta-moedas: "procriação, não." Se de repente estiver no meio de uma entrevista à TVI e começar a pensar "ah, e tal, a procriação" - shut, ponha logo a mão na boca. Procriação, não.
Para ler em DN - Opinião
Por AFG às 16:11 0 comentários
Categorias: Crónicas
20 de maio de 2008
As eternas polémicas em torno da feira do livro
Mais uma vez, há polémica na organização da Feira do Livro. Os problemas já são conhecidos e o artigo de opinião de João Miguel Tavares vai ao cerne da questão.
A MINHA BARRACA É MAIOR DO QUE A TUA
João Miguel Tavares
jornalista
jmtavares@dn.pt
É um desconsolo, mas é mesmo assim: estar próximo dos livros não torna as pessoas mais inteligentes. Basta olhar para o conflito entre a APEL e a Leya a propósito da Feira do Livro e verificar como essa gente que faz da literatura a sua profissão consegue revelar uma tão grande falta de senso, consumindo-se em conflitos internos que deixaram de fazer sentido há pelo menos 20 anos. O pobre Parque Eduardo VII virou palco de uma guerra fria de pacotilha, com a APEL muito devota da utopia comunista, agarrando-se às suas barraquinhas como o último sinal de pureza proletária, contra o avanço do grande capital. Esta gente quer convencer-nos de que de um lado está "O Livro" (leia-se, a APEL), do outro lado está "O Negócio" (leia-se, a malvada Leya), e que o primeiro deve combater o segundo. Até os romances de Paulo Coelho têm uma linha de pensamento mais elaborada.
Para ler em DN - Opinião
Por AFG às 23:31 0 comentários
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15 de janeiro de 2008
Crónica | Aos fumadores ressacados
Quinze dias após a entrada em vigor sobre a nova lei do tabaco, muito se disse e se escreveu sobre a adaptação dos portugueses às novas regras. Hoje, o jornalista João Miguel Tavares chama a atenção, na sua crónica semanal no DN, para os últimos textos de colunistas como Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares sobre o assunto.
CAPITALISTAS MEDROSOS E FUMADORES RESSACADOS
João Miguel Tavares
jornalistajmtavares@dn.pt
Nunca tive tanta noção de o tabaco ser uma droga como nos últimos 15 dias, após ler textos alucinados por parte de colunistas habitualmente respeitáveis como Vasco Pulido Valente ou Miguel Sousa Tavares. O que eles têm escrito sobre a nova lei do tabaco, deitando mão a comparações que deviam envergonhar qualquer pessoa que tenha lido dois livros de História, é de tal modo inconcebível que só se explica pela carência de nicotina. Eles fingem que um café inundado de fumo é coisa que não incomoda ninguém. Eles chamam fascismo a uma decisão que chateia dois milhões de portugueses e protege oito milhões. E Sousa Tavares conseguiu mesmo a proeza de afirmar no Expresso, sem corar de vergonha, que a lei faz "lembrar, irresistivelmente, os primeiros decretos antijudeus da Alemanha nazi". Ora, isto não é texto de um colunista prestigiado - isto é conversa de um junkie a quem o dealer cortou na dose. Faço, pois, votos que os fumadores descompensados acabem de ressacar rapidamente, para o bom senso regressar e nós podermos voltar a lê-los com gosto.
Para ler em Diário de Notícias - Opinião
Por AFG às 12:23 0 comentários
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